09/12/2008

LEI SECA: FISCALIZAÇÃO SERÁ INTENSIFICADA



Assim que a Lei Seca entrou em vigor, os órgãos responsáveis pela fiscalização dos motoristas e pela aplicação das penalidades investiram fortemente em blitzes, principalmente durantes às noites e fins de semana. As operações foram tão intensas e repercutiram tanto, que seu efeito foi quase que instantâneo: O número de acidentes diminuiu, o de corridas de táxi aumentou e uma nova cultura foi assimilada entre os boêmios - a do motorista da rodada. No entanto, com o passar de alguns meses, o cerco contra os motoristas alcoolizados arrefeceu-se. O número de acidentes automobilísticos envolvendo pessoas embriagadas tornou a crescer e chamar a atenção da sociedade e das autoridades para a eficiência do novo esquema adotado, a “tolerância zero”. Pois bem, ficou nítido que a diminuição da fiscalização levou a uma retomada da prática ilegal de se dirigir sob efeito de bebidas alcoólicas. Justamente por isso, Detran, SET e Polícia Militar anunciaram que, a partir do dia 11 de dezembro, retomarão, com a mesma intensidade, as ações conjuntas de fiscalização no trânsito, no intuito de fazer valer a nova lei e diminuir novamente o número de acidentes. Entre os meses de setembro e outubro deste ano, período em que a fiscalização diminuiu, os acidentes tiveram um aumento de 11%, totalizando, neste bimestre, mais de 1000 acidentes e 35 mortes no Estado. O Detran-BA promete adotar novas estratégias de combate ao motorista embriagado, realizando operações de no máximo 20 minutos, ao menos três vezes por dia, de segunda à quarta, durante todo o dia, em diversos pontos da cidade até as 22 horas. De quinta a domingo, as blitzes serão intensificadas. Acontecerão entre 18h e 2h da manhã, com atenção redobrada nas regiões próxima à Orla de Salvador, onde há uma maior concentração de bares e boates.

ABELHAS ATACAM NA RIBEIRA



Moradores, comerciantes e freqüentadores da Avenida Beira Mar, na Ribeira, sofrem devido a constantes ataques de abelhas. Até nosso repórter, Bruno Albuquerque, foi atacado enquanto registrava o fato. Segundo moradores do local, há uma árvore oca na calçada que divide a rua que foi tomada por abelhas e virou um verdadeiro criatório. Comerciantes donos de quiosques próximos à tal árvore se queixam, pois o movimento de clientes diminuiu consideravelmente devido aos ataques. Moradores reclamam dessa situação - que já dura meses - alegando que já notificaram bombeiros, defesa civil e polícia ambiental, mas até hoje, nenhum dos órgãos apareceu no bairro para resolver o problema. Muitas pessoas já foram atacadas, entre comerciantes, moradores e turistas.

Confira as imagens abaixo:

SOCIEDADE BAIANA E EXÉRCITO: JUNTOS POR SANTA CATARINA



Sociedade baiana e Exército Brasileiro unem-se com o intuito de captar donativos para as vítimas da tragédia de Santa Catarina. Como fruto desta associação, foi montado um posto de coleta 24hs na Praça do Campo Grande. Já foram recebidas mais de 22 toneladas de mantimentos e a CODEBA (Companhia das Docas do Estado da Bahia) cedeu um galpão para que os donativos fossem armazenados. A iniciativa partiu de Carlos Alberto Paranhos, comerciante da região do Forte de São Pedro, que, sensibilizado pela situação dos milhares de catarinenses atingidos pela tempestade que assolou aquele Estado, solicitou o apoio da 6ª Região Militar, na Mouraria, que prontamente abraçou a causa. O comerciante pede para que os baianos continuem doando sem preocupação, pois os mantimentos serão direcionados para Santa Catarina por caminhões e aviões das forças armadas e também para Coração de Maria e Brumado, municípios do interior do Estado que recentemente foram atingidos por uma forte tempestade. Confira a entrevista com Parannhos e com o Sargento Assis, militar responsável pelo turno do dia.


05/12/2008

Praias liberadas para banho



postado por Bruno Albuquerque


O Instituto do Meio Ambiente publicou hoje a relação das praias que estão próprias para banho neste fim de semana. Na relação divulgada, apenas a praia da Boca do Rio, em frente ao posto salva vidas, foi considerada imprópria para o banho. De acordo com a Diretoria de Fiscalização e Monitoramento Ambiental (DIFIS) e a Coordenação de Avaliação da Qualidade Ambiental, as praias consideradas próprias para banho são aquelas nas quais em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas nas cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo 1000 Coliformes Fecais em 100 ml da amostra de água, de acordo com critérios estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 274/2000. O órgão também aconselha os banhistas a evitarem o banho em tempo chuvoso, poi neste período as praias podem ser contaminadas por arraste de detritos diversos, carreados através de galerias de águas pluviais, rios, córregos e canais de drenagem, promovendo considerável aumento na concentração bacteriana nas águas. Informações sobre a balneabilidade das praias podem ser obtidas através do site do órgão. O endereço é: www.ima.ba.gov.br


02/12/2008

Carvoarias Ilegais ameaçam Morro do Chapéu


postado por Bruno Albuquerque



Fazendeiros e moradores de Morro do Chapéu, município localizado a 384km a noroeste de Salvador, na zona oriental da Chapada Diamantina têm se queixado da ação predatória e criminosa de carvoarias clandestinas na região. Segundo Sr. JK, o único fazendeiro que concordou em falar do assunto sob a condição de ter seu nome mantido em sigilo, os criminosos são pessoas conhecidas dos habitantes locais e moradores da própria região: “Eu até penso em fazer uma denúncia, mas há o risco de se sofrer retaliações e essa gente é muito covarde. Atacam quando menos se espera. Acabo não fazendo nada, pois temo por minha integridade física e pela segurança da minha família”, desabafa. J.K diz que a ação dos lenhadores piratas é freqüente, mas nessa época do ano, quando as lavouras e até mesmo o gado fritam sob o sol da seca, a devastação é desenfreada. Pelo menos 3 vezes na semana eles derrubam árvores nativas da região, como a sucupira, o cedro e a araucária, constroem fornos artesanais e as transformam em carvão sem se preocuparem com nenhum órgão regulador, “... a coisa toda acontece com freqüência e ninguém faz nada. O povo não denuncia porque tem medo!” Nas proximidades do km 30 da BA-052, conhecida como Estrada do Feijão, seguindo em direção ao município de Bonito, existe uma estrada de terra, perto de um contorno, virando à direita. Passados 100 metros após a entrada, há um pequeno vilarejo e atrás dele uma espécie de cancela que dá a impressão de delimitar uma propriedade particular. Esta cerca serve para evitar a presença da fiscalização e de possíveis curiosos. Do outro lado, pode-se observar o rastro de pneus de caminhão no solo. Os criminosos vão estocando o carvão ilegal pelas redondezas, dentro da mata. Depois, geralmente a cada 15 dias, transportam a carga clandestina em dois caminhões. São dois pontos de carregamento: um num campo de futebol e o outro a uns 200 metros de distância. Esses caminhões, um movido a gás e o outro a diesel, pertencem a um homem - cujo nome JK desconhece - que mora na região do povoado de Lagoa Nova. Ele compra a saca do carvão a R$ 2,50 e repassa a mercadoria para compradores de Feira de Santana. O Morro do Chapéu encanta turistas do Brasil e do mundo por sua vista magnífica, proporcionada pela sucessão de vales e montanhas e por suas riquezas naturais. A região abriga uma das maiores concentrações de orquídeas da Bahia e é habitat natural do colibri dourado, uma ave do local que está ameaçada de extinção. Todo esse processo de derrubada, aquisição da madeira e fabricação do carvão vegetal pirata termina por contribuir para a depredação do ecossistema local, pois além da emissão de gases poluentes na atmosfera, devasta a mata nativa e destrói o solo, que depois de sujeito às altas temperaturas dos fornos artesanais - que podem atingir mais de 500ºC de calor – tronam-se improdutivos para o cultivo de qualquer espécie. O Morro do Chapéu, assim como toda a região da Chapada Diamantina, é um dos ecossistemas mais ricos do país e deve ser preservado. Um verdadeiro santuário ecológico! JK diz que a ação daninha dessas pessoas já vêm - há um tempo considerável - derrubando árvores e castigando o equilíbrio natural da Chapada. Tem se tornado cada vez mais difícil encontrar determinadas espécies de árvores; plantas; flores e animais e isso se dá por causa da biopirataria; das queimadas; do turismo leviano e da extração e comércio ilegal de madeira. As autoridades parecem não saber, mas daqui de Salvador eu pude ouvir: o Morro do Chapéu pede por socorro...


Divulgado o resultado do Bahia de Todas as Letras


Com apenas três anos de existência, o concurso literário Bahia de Todas as Letras, direcionado a autores inéditos, nascidos ou radicados no Estado da Bahia, tornou-se o queridinho dos escritores baianos jovens e desconhecidos. Os motivos são vários: Além da premiação em dinheiro e da visibilidade que o prêmio conquistou em pouco tempo, os trabalhos vencedores, juntamente com outros selecionados, são publicados em uma antologia que leva o selo da Editus e a credibilidade da UESC. Neste ano, foram classificados os nove melhores trabalhos - os que obtiveram média igual ou superior a 7,0 - nas categorias conto, poesia e peça teatral. Confira abaixo a relação de vencedores deste ano: CATEGORIA CONTO 1ºcolocado - Jocenilson Ribeiro dos Santos, de Feira de Santana - pseudônimo Palatus - e Manoel Souza das Neves, de Santo Antonio de Jesus - pseudônimo Hesse. 2ºcolocado - Francisco Carlos Suzart Amorin, de Salvador - Francisco Carlos Suzart Amorin, de Salvador - pseudônimo Macário Crasso. CATEGORIA POESIA 1ºcolocado - Silvério da Silva Duque, de Feira de Santana - pseudônimo Oséias Dias. 2ºcolocado - Bruno Albuquerque Carneiro de Oliveira, de Salvador - pseudônimo dí Albuquerque. 3ºcolocado - Andréa Conceição Costa, de Salvador - pseudônimo Anaflulin; Maria do Rosário Silva Lima, de Itabuna - pseudônimo Zayra Lima - e Ângelo Araújo Carneiro - pseudônimo Angel. CATEGORIA PEÇA TEATRAL: Esta categoria contou com apenas um trabalho classificado, de Hebert de Almeida Rocha, de Feira de Santana - pseudônimo Har. O concurso literário Bahia de Todas as Letras, realizado anualmente pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, tem por objetivo fomentar a produção literária baiana, revelar novos valores no campo das letras, divulgar escritores desconhecidos e estimular o hábito da leitura como objeto de prazer e desenvolvimento intelectual. Em sua terceira edição, o concurso - que é tido como referência de idoneidade entre escritores e acadêmicos baianos - é fruto da parceria entre a Instituição, as editoras Via Litterarum e Editus/UESC e conta também com o patrocínio da Fundação Chaves, cuja ajuda só faz engrandecer ainda mais tão nobre evento. A antologia está em fase de edição e a espectativa é de que tanto os prêmios, quanto os livros, sejam entregues ainda neste mês de dezembro.


12/11/2008

Carros Antigos Invadem a Praça do Campo Grande


Aconteceu, entre os dias 31 de outubro e 02 de novembro na Praça do Campo Grande, uma exposição de veículos antigos a céu aberto, organizada pelo Veteran Car Club do Brasil, como parte dos eventos do IV Encontro Nordeste de Veículos Antigos. O evento contou com o apoio da Emtursa e atraiu gente de todas as idades, desde apaixonados por veículos até curiosos e turistas. A exposição, organizada pelo Veteran e aberta gratuitamente ao público, foi uma ótima oportunidade de se conhecer um pouco mais sobre a história do automobilismo no Brasil. Quem compareceu ao evento, pôde observar carros raríssimos em ótimo estado de conservação, como o primeiro Fusca do país, as primeiras viaturas utilizadas pelo Corpo de Bombeiros da Bahia e um Clément Panhard, o primeiro automóvel movido à gasolina do Brasil, uma viatura em madeira armada, acionada por motor com cilindro 797cm e refrigerado a água, fabricado entre 1889 até 1902 e importado da França para a Bahia por Henrrique Lanat, em 1901. Confira abaixo a entrevista com Antônio Carlos Gouveia, um dos organizadores da exposição e assista às imagens desse incrível evento.


11/11/2008

14 BIS EM SOTERÓPOLIS:


A banda de pop-rock 14 Bis esteve em Salvador para a apresentação do show do seu novo CD e DVD, Ao Vivo, no Teatro Castro Alves, nos dias 20 e 21 de setembro, pelo projeto MPB Petrobrás, que contou com show de abertura da cantora baiana Nana Meireles. O Cd e o primeiro DVD da banda, que foram gravados no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no finzinho de 2006, trazem algumas canções inéditas e outra que marcaram a trajetória do grupo, como Caçador de Mim, Todo Azul do Mar, Bola de Meia, Planeta Sonho, Bola de Gude, Canção da América e Espanhola. A formação da banda, com exceção de Flávio Venturini, que em 87 deixou o grupo para seguir carreira solo, permanece a mesma desde a sua formação, com Sérgio Magrão, Vermelho, Claudio Venturini e Hely Rodrigues. Para o show do TCA, foi convidado o músico Sergio Vasconcelos. Durante sua estadia em Salvador, o vocalista do 14 Bis, Claudio Venturini, gentilmente concedeu um entrevista ao Solta o Verbo. Confira abaixo o bate papo com dí Albuquerque.


ENTREVISTA COM CLÁUDIO VENTURINI 1



ENTREVISTA COM CLÁUDIO VENTURINI 2



05/10/2008

Um pouco sobre o tráfico de drogas no Rio de Janeiro:



A história da organização do crime no Rio de Janeiro começou na década de 70, no presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis, onde presos políticos (membros de movimentos populares, estudantis e trabalhistas avessos à ditadura militar) eram encarcerados com criminosos comuns no intuito de diluir e desarticular o discurso revolucionário. Só que os militares se enganaram e o tiro saiu pela culatra. O que decorreu foi uma politização em massa de criminosos comuns, que passaram a se politizar, articular e adquirir consciência “social e revolucionária”. Surge, a partir de então, a Falange Vermelha, a primeira facção criminosa do país. Posteriormente, terminaria se esfacelando, desmembrada por conflitos internos que geraram, com o tempo, outras três facções criminosas que hoje disputam, em confrontos incessantes e sangrentos, os pontos de vendas de drogas do Rio de Janeiro: o CV, Comando Vermelho; o TCP, Terceiro Comando Puro e o ADA, Amigo dos Amigos. Ironicamente, o intuito inicial era ocupar cada “buraco” abandonado pelo sistema, instalar bocas de fumo e, com o dinheiro gerado, cumprir com o papel do governo de auxiliar os moradores da região ocupada, mas como o tráfico de drogas, antes de tudo, é um negócio de alta lucratividade e o homem está sempre inclinado a querer sempre mais poder e dinheiro, a revolução deu lugar à ganância e a utopia, à falta de esperança, à revolta e ao agravamento do caos social. A ditadura militar acabou, deu lugar à politicagem. A maioria daqueles que tanto lutaram pela liberdade e pela democracia, hoje fazem de Brasília o palco das maiores sem-vergonhices do país; a utopia da juventude de maio de 68 deu lugar ao consumismo e à inversão de valores; a imprensa, hoje “livre” para escrever, fazer e acontecer, é, antes de qualquer coisa, um negócio que se beneficia da espetacularização e conseqüente banalização da violência, e, como o lucro é a prioridade de toda empresa, seja ela legal ou ilícita, pouco faz de significativo para mudar a situação. As polícias, totalmente despreparada para lidar com a situação de forma a resolvê-la ou atenuá-la, além de sofrer com o sucateamento de suas instituições, já não possuem credibilidade junto à população: têm a imagem maculada por casos escandalosos de corrupção, truculência e imperícia. Nem mesmo a adoção de medidas extremas, como o uso das Forças Armadas, e da famigerada Força Nacional de Segurança, conseguiram extinguir ou reduzir as atividades do tráfico, cada vez mais bem armado, influente, articulado e violento. As zonas periféricas da cidade do Rio de Janeiro estão divididas em territórios dominados por quadrilhas de narcotraficantes. Armados até os dentes, esses grupos impõem sua própria linguagem, suas leis, seu julgamento e punição para quem descumpri-las e sujeitam os moradores dessas comunidades e de seus arredores aos contratempos que fazem parte do dia-a-dia de toda favela dominada pelo tráfico: incessantes tiroteios com policiais; guerras com quadrilhas rivais e, não raro, entre si mesmos; a poluição sonora provocada pelos bailes funks “proibidos” - que de proibidos têm apenas o nome, pois ocorrem com freqüência em centenas de morros e favelas dominadas pelo tráfico e o constante temor de se ter um parente, vizinho ou amigo vitimado pela proximidade rotineira com o perigo. O que sê observa hoje é uma situação insustentável e aparentemente impossível de ser resolvida. Dos tempos românticos que inspiraram o surgimento da Falange Vermelha, as únicas coisas que perduraram e continuam existindo, mesmo depois de todas as mudanças decorrentes do fim do regime militar, são os tais “buracos” abandonados pelo sistema, que permanecem esquecidos, ocupados pelos pseudo-revolucionários que só fizeram aumentar as mazelas das comunidades onde se instalaram e os sofrimentos daqueles que, um dia, juraram representar, servir e proteger.


Notícias de uma Guerra Particular



O documentário retrata o cenário da segurança pública na cidade do Rio de Janeiro, que, devido a medidas administrativas falhas e políticas ineficientes, tem assumido feições monstruosas, apresentando perspectivas futuras nada consoladoras. Só que esta realidade está longe de pertencer exclusivamente ao Rio. Ela faz parte do cotidiano de todo grande centro urbano, tendo, de uns tempos para cá, migrado até mesmo para as cidades medianas e os interiores. Em Salvador, a insegurança também preocupa. Entretanto, a polícia, mesmo estando diretamente ligada à questão, não é a maior responsável pelo problema, apesar de, devido a sua configuração e seus métodos, colaborar para o agravamento da situação. É inquestionável a incapacidade das instituições públicas em atender à demanda pelos seus serviços. Da mesma forma que é evidente o crescimento do desemprego; a desocupação de maciça parcela da população; a falta de oportunidades e perspectivas; o abandono a que está condenado o sistema prisional; a baixa qualidade do ensino público; o sucateamento dos hospitais municipais e estaduais e a ineficácia da polícia em servir e proteger o cidadão. Esses são os elementos que configuram o atual quadro dos grandes e médios centros urbanos, que vêm sofrendo cada vez mais com a “favelização” e com a expansão numérica e espacial do crime organizado, principalmente o tráfico de drogas. Tanto no Rio de Janeiro, como em Salvador, aqueles que foram relegados ao abandono pelo poder público aboletaram-se desordenadamente no alto dos morros, nas periferias, na beira dos mangues, nas baixadas, nas encostas e embaixo das pontes. Sujeitos a um sem número de infortúnios e sem a devida assistência por parte do Estado, são forçados a sobreviver da maneira que lhes é possível. Mas o problema do tráfico de drogas não pode ser considerado de forma isolada, como um problema autômato que começa e termina nos espaços dominados pela miséria e pela pobreza. Ele é fruto de uma gama de problemas inter-relacionados política, histórica e socialmente entre si, só que a face mais nítida e sinistra da questão concentra-se nas áreas abandonadas pelo poder público e termina por fomentar o abismo que existe entre os moradores de comunidades carentes e a oportunidade de uma vida mais digna, pois onde impera a lei do tráfico, mora o terror, o medo, o silêncio e o perigo. Até mesmo para o Governo e seus aparelhos repressivos, inserir-se nestes locais, considerados áreas de alto risco, e manter o controle no controle da situação parece tarefa irrealizável . De um lado, os policiais: em sua maioria, seres desumanizados, mal preparados psicologicamente, mal remunerados, mal treinados e mal aparelhados. Do outro, os bandidos: geralmente jovens entre 14 e 20 anos, psicologicamente mais despreparados ainda, porém, quase sempre melhor remunerados que a polícia e armados “até os dentes” com modernas armas de grosso calibre. Neste cenário social estabeleceu-se, como definiu o até então Capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel, uma guerra muito particular entre a polícia e o tráfico de drogas - daí o nome do filme -, na qual não existem vencedores. As baixas são constantes em ambos os lados e, no meio desse caos, está o povo, sujeito a todos os tipos de violência por parte dos dois lados. O documentário foi gravado entre os anos de 1997 e 1998. De lá para cá, as coisas pioraram. Hoje, os traficantes do Rio de Janeiro executam golpes coordenados contra a polícia; o Município; o Estado e a sociedade: fuzilaram delegacias e batalhões de polícia; o prédio que sedia a Prefeitura; o Palácio da Guanabara, onde reside o governador do Rio com sua família; saquearam quartéis do Exército e da Aeronáutica; assassinaram um jornalista da maior emissora de TV do Brasil; coordenaram inúmeras rebeliões e execuções nos presídios; queimaram vários ônibus; praticaram incontáveis assaltos e latrocínios e homicídios encomendados, isso sem contar o terror espalhado pela cidade. Em Salvador, o que se pode observar é um crescimento vertiginoso da criminalidade, em especial do tráfico de drogas; do consumo do crack, dos assaltos a ônibus e dos conflitos entre quadrilhas de traficantes. Não raro, pode- se ver nas ruas, nos becos, em baixo das marquises, nas vielas, em casas abandonadas e em construções históricas em ruínas, jovens consumindo a droga ao ar livre, a qualquer hora do dia ou da noite. Até mesmo as grandes avenidas, como a Avenida do Contorno, a Avenida Sete de Setembro; as praças, como a do Campo Grande, a Piedade e a Castro Alves - isso sem falar no centro histórico, o badalado Pelourinho - e a orla da cidade tem sido cada vez mais ocupada pelos “sacizeiros ” e os assaltos acontecem com freqüência. O crack, por ser uma droga que vicia rapidamente, causa alucinações surtir um efeito de curta duração, induz ao uso compulsivo e facilmente leva seu usuário à dependência química e psicológica, provocando desvios de caráter, de personalidade e de conduta. Esta droga, à venda praticamente todas as bocas de fumo de Salvador a mais de dez anos, tem afundado a cidade em violência e agravado os seus problemas sociais, que já eram gritantes. A capital baiana ocupa hoje a quarta posição no ranking das cidades com o maior número de homicídios em números absolutos, precedida de São Paulo, em primeiro; Rio de Janeiro, em segundo e Recife, em terceiro. Isso sem falar que, só neste ano de 2008, já foram assassinados quase 30 policiais militares. É preciso que os governantes repensem as estratégias de combate ao crime e, além de aplicar mediadas apenas repressivas, remunere e prepare melhor a polícia, gere empregos e oportunidades, invista ostensivamente em educação, encare a questão das drogas como um problema de saúde pública e recicle o sistema penitenciário, caso contrário, as coisas só irão piorar, tanto em Salvador, quanto no Rio de Janeiro ou no resto do país.


02/10/2008

Crônicas in Cenas: O Novo Espetáculo da Oficina de Teatro 2 de Julho.


A Companhia de Teatro da Faculdade 2 de Julho, fruto da Oficina de Atores 2 de Julho, estréia dia 10 de outubro seu novo espetáculo, Crônicas in Cenas, no Teatro Dias Gomes. O espetáculo, como o próprio nome sugere, foi baseado em algumas das crônicas do II Concurso de Crônicas da Faculdade 2 de Julho, idealizado pela professora Ana Cláudia Pantoja e realizado no segundo semestre de 2007. Dentre as crônicas que serão encenadas estão as três primeiras colocadas no concurso. O grupo, que em menos de um ano de existência está prestes a realizar sua 2ª apresentação, é formado, em sua maioria, por estudantes de diferentes cursos da própria instituição. A história do grupo começou quando Rai Alves, ator, diretor do grupo e mentor do projeto, levou sua idéia ao Reitor da Faculdade, o professor Josué Mello, que enxergou na criação do grupo uma oportunidade de proporcionar aos estudantes o desenvolvimento da sensibilidade e do apreço à arte. Desta vez, Rai Alves e sua trupe levarão ao palco nada menos que uma crônica da vida, mas não aquela vida corriqueira e estressante que nos impele a mergulhar em nossos problemas e afazeres, que nos torna pessoas distraídas e alheias àquilo que nos cerca e pulsa vida. Crônicas in Cenas trará um retrato preto e branco da vida, uma apresentação de alta definição do ser humano, uma projeção visceral da existência. A primeira peça do grupo, intitulada AH! É... É?!! - que foi encenada em dezembro do ano passado foi totalmente construída em cima de poemas e gestos, fragmentada e apresentada através de esquetes. A cada quadro, a cada cena, foi possível contemplar o inusitado, em interpretações que variaram de Drumond a Castro Alves, Cazuza e dí Albuquerque. Ao ser perguntado sobre a experiência de ministrar uma oficina de estudantes universitários e dirigi-los, Rai Alves responde: “Foi muito prazeroso e inquietante redescobrir que, durante o tempo de convivência com este grupo, ainda estou aprendendo a fazer teatro. Estamos sempre aprendendo... até o que já sabemos.” Com uma linguagem teatral livre e autêntica, o grupo tem uma maneira própria de atuar e deixa bem claro que está aí para fazer arte, para criar e apresentar o seu fantástico mundo de sonhos, tão absurdo quanto a realidade.